quinta-feira, 8 de julho de 2010

A promiscuidade no serviço de saúde

O serviço nacional de saúde é porventura,o melhor fruto da democracia,em Portugal.Ou melhor,foi. Encosto daqui,empurrão dacolá,actualmente é um sistema híbrido,público-privado,promíscuo,confuso,corrupto,com tendência a privado-público,isto é,cada vez de menor qualidade, mais caro ,em vez de tendencial e universalmente gratuito ,como manda a Constituição.
Os médicos e enfermeiros no serviço público têm um horário reduzido e são relativamente mal pagos.Antes ganhassem melhor e trabalhassem mais horas.E depois ,era tão simples como isto:quem trabalha no serviço público,não trabalha no privado.Ou um,ou outro.
Servir-se do público, para ter clientes no privado,dá o o que dá e está à vista de toda a gente: maltratado naquele,acarinhado neste.
As honrosas excepções,que as há,não passam de excepções.
Se o estado quer combater a corrupção,é bom que comece por aqui.Pela nossa saúde !

Igual e diferente

Mudei de computador.Oito ou dez dias sem acesso ao blogue,internete.
Para entrar de novo ,tive de fazer montes de manobras.Enfim...,cá estou de novo com o meu diário catártico.
A letra é mais pequena e o design diferente.Não sei ainda ,se gosto.O tempo ditará a sua sentença.Continuemos... .

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mundial de futebol-Portugal-Espanha- II

depois do jogo

Portugal zero Espanha um

Por esta não esperava ou não fosse eu sportinguista de trazer por casa ,ingénuo até dizer basta. Alguém ganha alguma coisa,feijões que sejam,sem dar em troca?
A selecção perdeu mas Portugal ganhou,meus caros.Pois é!!!
Pensava eu que o resultado poderia estar dependente do árbitro,de língua espanhola,como bem lembrou queirós,na véspera.Mas não.Naõ quer dizer que o árbitro não estivesse comprado,até é mais que natural que sim,mas esse já não é um factor imponderável.
Parvo que eu fui,não dei importância às declarações intelectualoides do treinador de carroceiros,na véspera.É sempre na véspera que o resultado se decide,estou agora,só agora a reparar,ingénuo,ingénuo que eu sou.
O dito disse qualquer coisa deste tamanho,peso e profundidade: espanha e portugal ja uma vez dividiram o mundo em duas metades,uma para espanha,outra para portugal e aí ganhámos.O tratado de Tordesilhas.
Não compreendi mas ficou a zumbir-me no ouvido,mosquito chato,persistente,inoportuno.
Carlos amigos : involuntáriamente,contribui para satisfazer os vossos desejos,ver os heróis nacionais de malas aviadas e beiça caída,de regresso ao puto.Alvitrei,isto é, disse ao queirós,põe o ronaldo a médio atacante.E pôs.Em vez de lhe inventar uma perigosa lesão,um ponto negro no lado direito(ou esquerdo) do pescoço,uma borbulha na coxa direita (ou esquerda),uma unha do dedo mindinho direito (ou esquerdo)espigada,duas pestanas do olho direito (ou esquerdo) entrelaçadas,que o impediria de jogar,não senhor,pô-lo mesmo.Foi a trapalhada que se viu.
Só depois do jogo comprendi.Ronaldo apressado,disse a um jornalista apressado que se queria uma explicação para a derrota da selecção,fosse perguntar ao queirós.
Ninguém lhe perguntou,mas este poderia ter dito,perguntem ao presidente da federação,e este ao ministro do desporto e este ao primeiro-ministro.Ao primeiro ministro?
Sim,ao primeiro-ministro de portugal e tb. ao de espanha.
Zapatero dum carago,que me dice osted:
Nosoutros pagamos a Ronaldo mucho más dinẽro que la agua corre por el rio Manzanares e Guadiana,lo entreinamos,nos fode nuestras más bonitas mulhieres e ainda quieres que nos ponga de rodilhas?
Vos damos en troca muchos milhares de espanõles que se vaiam divertir ,rezar e comer a fátima,madeira,algarve,figueira da foz,pt telecom ,alcobaça,nazaré,porto,lisboa e sé lá que más outros piquẽnos pueblos. Tordesilhas si,pero ahora es nuestra vece,gañamos nosoutros.Comprendido?
Socrates:Sin,patron,companero e camarada.
Julguemos nos.
Jogámos bem,mas ainda bem que não vi o jogo.

Mundial futebol-Portugal -Espanha -I

Antes do jogo

Dedico esta crónica aos meus amigos fanáticos do benfica,C.M.,R.R.,C.R. .
O primeiro tem a mania de que não liga nada ao futebol,mas é fanático do benfica.Quando perde, ninguém o pode aturar.Azedo,quesilento,agressivo nada o satisfaz,nada está bem.O benfica que se f... .
O segundo tb.é fanático do benfica mas quando perde disfarça.Eh pá, as coisas não correram bem,o arbitro não viu,o benfica jogou melhor mas a bola é redonda,mais isto,mais aquilo,temos uma grande equipa,vamos ganhar o campeonato.
O terceiro é o maior fanático de todos os benfiquistas.Jogador e treinador que foi,dita a sentença:aqueles paneleiros do c.....o,em vez de jogar futebol deviam era mugir vacas,em vez de estarem ali com festinhas,a pedir licença para dar pontapés na bola e chutos nas canelas dos outros cabrões,p.q.o.p.,assim não vamos lá.
De comum, o primeiro e o terceiro,têm a selecção portuguesa abaixo do nível de água ,seja ele cão da serra D'Aires ou rafeiro da mais alta estirpe.
Permiti-me ,meus amigos, que entre nesta disputa.Sou adepto nas horas vagas,do sporting,único clube em Portugal que disputa o futebol com fair play,como gentleman.Um quarto lugar já é motivo de glória!Ainda estamos no tempo em que o futebol era um desporto e daqui não queremos passar ou deixará de ser desporto,desporto acima de tudo.Porto..porto..benfica ..benfica ..vão para o raio que vos parta e fiquem lá com a taça,seus pintistas e lampiões de merda.
Voltando à selecção e ao jogo de daqui a pouco,acho que vamos ganhar.
O Queiroz estudou a lição do Mourinho,no inter-barcelona.
Táctica:o autocarro na baliza.Trocado por miúdos:onze na baliza,dois suplentes á defesa-médios-atacacantes(Ronaldo e Fábio Coentrão)e um,o liedson do sporting,como ponta de lança (é pequenino e passa desapercebido) e é assim que os f...... .
O queiroz é u bom aluno,mourinho o Gama do caminho para as vitórias,ronaldo o sedutor que abre fendas na mulherada espanhola,que mais se pode esperar?
Se o arbitro estiver comprado,poderemos ganhar.Se não estiver,mesmo assim,aposto na nossa selecção.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fernando Nobre a presidente

Há umas horas ouvi parte da entrevista que deu na Sic.
Identifico-me com o que diz e como o diz.É um de nós (do povo) a falar.O melhor de tudo é o seu exemplo ao longo de trinta anos.Faz,em vez de prometer.A solidariedade com os mais desfavorecidos não é um slogan,tem sido a sua prática constante.
Não acredito nos que têm passado a vida a prometer e não praticam o que prometem.
Acredito nele.
A sua eleição será a higiene na política.
Eu e milhões de portugueses também queremos ser presidente da república.
Lemos Saramago e reeditaremos o" Ensaio sobre a lucidez ".
Não queremos intermediários,como sempre e mais uma vez,a escolher por nós.
Somos adultos e livres.
Chegou a nossa oportunidade e não vamos desperdiçá-la.
Seremos presidente com Fernando Nobre.
Será ele a nossa voz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A sé da Guarda ou de Espanha nem bom vento nem bom casamento

Por vezes a conjuntura põe-nos de costas voltadas.Famílias desavindas sem uma boa razão,amigos que viram inimigos sem saber porquê,guerras cruéis,sangrentas ,intermináveis por causas mesquinhas ou ridículas,ódios que se herdam de geração em geração para manter a tradição.Os governos dos povos ,ao longo da(s) sua(s) história(s) mostraram-se quase sempre tão estúpidos e alheios aos interesses das pessoas que governavam que nem os consideravam pessoas.Mandavam-nos para a morte com o mesmo àvontade com que se mandam hoje as mais diversas espécies de animais para o matadouro.
Estou a falar do passado,mas na verdade ainda hoje a "história" não é muito diferente.A côr da pele,a religião,as ideias,os diamantes,ouro,petróleo,outros minérios e bugigangas que alimentam a vaidade e ganância dos poderosos,trazem o mundo em pé de guerra.
"A gota de Mel " de Leon Chancerel,peça de teatro que se lê ou representa em cinco minutos, deveria ser leitura obrigatória nas escolas ao longo de toda a vida escolar,da primária à universidade e especialmente deveria ser um preâmbulo de todas as leis constitucionais de todos os estados.Presidentes da república e governantes só deveriam tomar posse depois de a declamarem em público.
Vem isto a propósito ou despropósito da morte de Saramago,casado com a espanhola Pilar.Um dos mais belos exemplos(de amor),nos dias que correm,de como a história oficiosa,ao longo de muitas gerações, não é boa conselheira:
De Espanha nem bom vento nem bom casamento.
O ódio intermitente,interesseiro e mercenário das famílias reais e nobres(mas não dos povos,que sempre se borrifaram para isso)marcou a história da peninsula ibérica.Pedro e Inês, as vítimas emblemáticas da tragédia.
Ódio vindo dos primórdios da nacionalidade,foi cultivado na pedra,no granito rijo da beira alta.
A sé da Guarda documenta o que foi essa política.Uma das gárgulas viradas para oriente é um cu a cagar para Espanha.

"Ensaio sobre a pequenez" ,de José Saramago


Trata-se de um romance post-mortem, de José Saramago.O último da trilogia de Ensaios.
Tive a sorte,diria antes,o privilégio de lho ouvir ditar,sussurar ou imaginar ,no breve minuto de sábado passado,no final de tarde,em que me postei à sua frente,na câmara municipal de Lisboa,para lhe dizer, até sempre,josé!


Ensaio sobre a pequenez

Dizem que morri e até posso acreditar nisso pelas fúnebres mensagens blá blá blá das duas primeiras figuras do estado de Portugal o presidente da república cavaco silva e o presidente da assembleia da mesma o... (como é que ele se chama) qualquer coisa ...gama.. mas não virão ao meu funeral.

câmara municipal de lisboa 19 de junho do ano de 2010
José Saramago



O facto é que os ditos dois não compareceram.

Abriu-se a discussão entre analistas literários,por um lado e analistas políticos por outro.
Estes dividem-se entre deveriam os ditos dois ter comparecido ou não.
Aqueles,sobre o que queria dizer Saramago quando escreveu,isto é,disse,isto é,imaginou,isto é, teria dito:" mas não virão ao meu funeral".

Uns inclinam-se para que ele terá querido dizer:não quero que eles venham ao meu funeral.
Outros:espero que esses reles não venham ao meu funeral.
Outros:não acredito que eles sejam minimamente grandes para vir ao meu funeral.

Eu,medium nesta causa,atrevo-me a dizer,todos, em conjunto,têm razão.
Saramago não quis,não desejou e previu que eles não iriam comparecer.

À Pilar:
Desculpe-me,minha amiga desconhecida,esta incursão no território dos seus afectos.
Obrigado pelo amor que dedicou ao nosso josé.Sem ele(sem o seu amor) onde teria o josé arranjado forças,para ir tão longe,voar tão alto?

sábado, 19 de junho de 2010

Lusíadas que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando

I

JOSÉ SARAMAGO - (1922-2010)

Nacionalidade: PORTUGUÊS

Escritor

Prémio Nobel da Literatura

Obras:



Dados biográficos:

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago morreu?Viva o José Saramago!!!

No texto anterior,Dia de Portugal,propus-me criar neste blogue uma galeria de" Lusíadas que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando "
especialmente dos ainda vivos,mas não só.
Tinha em mente colocar o José Saramago no primeiro lugar.
Durante oito dias não escrevi.A morte,sem aviso prévio,traiu-me,levou a vida do meu maior lusíada vivo.Mas não levará a melhor.SARAMAGO não será esquecido por muitos e longos anos,no mínimo, durante todo o tempo que durarem todos os que tiveram o prazer e o privilégio de o poder ler,em Portugal e no resto do mundo.
Neste tempo,que é o nosso,em que as marcas imperam e tudo é produto vendável e de preferência exportável,SARAMAGO é a marca, por excelência,do melhor que temos para oferecer:a nossa língua,a nossa cultura.Se estas sobreviverem,sobreviveremos.
Camões,Fernando Pessoa e José Saramago foram,são e serão marcos indestrutíveis deste povo.
A feira de vaidades que vai por aí,dura o tempo dum fogacho ou dum foguete de lágrimas.
As obras valerosas demoram tempo a ser reconhecidas e quase sempre são hipócritamente ignoradas e até hostilizadas, pelos poderes instituidos.Saramago também provou desse fel.
Saramago morreu, mas sobreviverá e nós com ele.
Outros estão na forja.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Portugal

Os Lusíadas,de Luís de Camões

Sou português porque nasci em Portugal.Sou mais português porque aprendi,com a leitura dos Lusíadas,o sentido universalista da história,o nosso passado.
O presente,tal como o de Camões era,é de crise.
Por isso ele cantou:

Canto Primeiro
I
As armas e os Barões assinalados
Que, da Ocidental praia lusitana,
Por mares nunca navegados,
passaram ainda além da Taprobana,
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.................................
.................................
II
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E aqueles que por obras valerosas
se vão da lei da Morte libertando
-Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

As comemorações do Dia de Portugal reflectem a visão oficiosa dos poderes instituidos.Na maior parte dos casos,condecoram-se uns aos outros.Os que nos estão a afundar, boa parte já condecorados,condecoram os que nos ajudaram a meter ao fundo.
p.q.o.p. .

CVI

No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra,tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indine o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?


Em alternativa,quem me dera ter um pouco do engenho e arte de Camões,vou abrir um espaço neste blogue,para evidenciar os lusíadas ,de preferência ainda vivos,mas não só,dignos de admiração pelo seu engenho e arte.
Convido os leitores deste blogue a colaborarem,indicando nomes e razões da nomeação.
"Os portugueses que por obras valerosas,se vão da lei da Morte libertando"