quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Prémio Nobel da Literatura e o combate ao narcotráfico

Mario Vargas Lhosa ,peruano,é o Nobel de Literatura 2010.
Já foi candidato a Presidente da república do Peru.Em política reclama-se de conservador,ao centro.Grande admirador de Lula da Silva,Presidente do Brasil,não disfarça o seu ódio aos irmãos Castro de Cuba ,a Hugo Chavez da Venezuela e Ahmadinejad do Irão.
Este homem culto,polémico e frontal conhece bem a América Latina,os E.U.A. onde actualmente reside e grande parte do mundo.
O Nobel colocou-o " No centro do mundo ",título do artigo-reportagem em Porto Alegre,Brasil, da jornalista Alexandra Lucas Coelho,no P2 do Público ,do dia 16 de Outubro 2010.Vale a pena ler,como tudo o que ela tem vindo a escrever.
O que verdadeiramente me chamou a atenção,por inesperada,vinda deste prémio Nobel,foi a sua afirmação desassombrada quanto à forma de combater o narcotráfico:legalização das drogas.
Que me lembre,até hoje,ninguém que esteja ou tenha estado " no centro do mundo " o disse de forma tão radical e com tanta clareza.Se outro mérito não tivesse,só por esta afirmação já terá valido a pena ser-lhe atribuido o Nobel.
Transcrevo,com a devida vénia, do texto da Alexandra esta pequena passagem:
" O mundo descobriu que o narco era um estado dentro do estado,que pode lutar de igual para igual,e isso encheu o México de sangue",resume Vargas Lhosa. " E é uma luta que se pode estender à América Latina.Estou a favor da legalização das drogas.Creio que é a única forma de acabar com a delinquência.É a única que ainda não se utilizou.A repressão não contribuiu para diminuir o tráfico nem o consumo,pelo contrário.Investem-se somas cada vez mais astronómicas e consumo e tráfico continuam a aumentar.Há que investir na propaganda sobre os danos causados pela droga e na recuperação de toxicodependentes.E terá de haver um acordo entre países produtores e consumidores para a legalização das drogas.O narcotráfico é um risco que pode correr toda a América Latina e pôr em causa a democracia".

O Prémio Nobel da Paz e o PCP

A atribuição do prémio Nobel da Paz ao chinês Liu Xiaobo mereceu do PCP,um comunicado em que considera :Na linha da atribuição do Nobel da Paz 2009 ao Presidente dos EUA-Barack Obama,é mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz,da solidariedade e da amizade entre os povos.
Independentemente do mérito relativo do laureado,o facto de se encontrar a cumprir uma condenação de 11 anos de prisão por reclamar democracia e liberdade de expressão,num país tão poderoso como é a China (dita socialista,mas na verdade de duplo capitalismo (capitalismo de estado e capitalismo selvagem ),não denigre o prémio que lhe foi atribuido.
A histórica e autoproclamada coerência de princípios do PCP,com posições contraditórias ,uma para consumo interno, outra em defesa de regimes socialistas que de socialistas só já têm o nome, é que sofre mais um rude golpe na sua credibilidade.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mais armas , mais dívida , mais desemprego , menos economia ,menos saúde,menos educação,.....

A loucura é uma doença persistente e não pára de aumentar nos loucos que nos (des)governam ,pelo menos desde a década de 80 ,para não dizer desde sempre,que eu me lembre.PS,PSD,CDS, os partidos do chamado arco da governabilidade,já todos tiveram nestes últimos trinta anos a pasta da Defesa.Cada qual destes loucos,primou por ser mais louco que o antecedente.Só pensam em armar-se.Em cada esquina do planeta um inimigo.Provavelmente,todos eles sofrem de impotência crónica.Casos de psiquiatria ou por aí perto.
Por sua vez o PCP e o BE,não se afoitam nas críticas às políticas da Defesa.Portugal fora da Nato e pouco mais ou mesmo nada.Nostalgia do 25 de Abril,como se os militares tivessem feito algo mais que pagar a enorme dívida que tinham para com o povo,desde a instauração da ditadura salazarista.Esquecem-se de que as actuais forças armadas já nem vestígios têm ,das que fizeram a revolução dos cravos. Pelo menos o PCP e o BE,têm a obrigação de discutir abertamente,dentro e fora dos partidos,a necessidade de termos forças armadas,no actual contexto nacional e internacional.Este é um dos tabus de esquerda ,que urge quebrar,sem medo nem preconceitos ideológicos, moralistas e patrioteiros.
Vem tudo isto a propósito,de mais uma recente notícia que parece ter passado despercebida nos meios políticos e comentadores dos mesmos.
O Estado recebeu o primeiro de cinco aviões P3 ,em segunda mão,que custaram 200 milhões de euros.
O ministro da defesa,Santos Silva,justificou "o vultuoso" investimento com a necessidade de executar missões de luta anti-submarina,patrulhamento marítimo,busca e salvamento,vigilância terrestre,controlo de tráfico de drogas e redes de imigração clandestina e e missões que as forças armadas executam no estrangeiro.
O ministro lembrou também o investimento de quase 500 milhões de euros que estão a ser aplicados na modernização dos caças F-16,bem como da aquisição de 12 aviões C-295 e 12 helicópteros EH 101. Também os aviões C-130 vão estar sujeitos a um processo de modernização e já se analisa a sua futura substituição.
Ao todo,mais de 1500 milhões de euros estão a ser investidos na modernização da FAP.Pouco mais de um terço deste montante será aplicado até ao final de 2010,salientou o ministro. Assim se vai o nosso dinheiro,para isto nos pedem cada vez mais sacrifícios,mais fome, mais desemprego,menos saúde,menos educação,menos justiça,mais corrupção,mais desperdício,mais ....,menos ...,mais ....,menos ....
P.Q.O.P.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Às armas, às armas !

No rescaldo das comemorações do centenário da República, convém fazer algumas alterações num dos seus símbolos,o hino nacional,a Portuguesa.
Um outro símbolo,o escudo,já foi substituido pelo euro.
A bandeira nacional é o único que mantém actualidade.
Porquê mudar ou alterar o hino?
Porque a sua letra está desactualizada em relação ao desígnio histórico propugnado para o presente e futuro da humanidade,consignado na carta das nações unidas,na declaração universal dos direitos humanos,no contexto político europeu e nacional pós segunda guerra mundial e pela vontade dos povos de todo o mundo. O futuro que se pretende é o da resolução dos diferendos entre estados de forma pacífica,o maior objectivo mundial é a PAZ.Isto porque a guerra tem sido e continua a ser ,o maior flagelo da humanidade,a causa maior de todos os outros males.
O hino nacional nasceu num contexto nacional e internacional de guerra quase permanente e generalizada.( A participação de Portugal na 1ªGrande guerra mundial,foi-nos de tal maneira desastrosa,que levou a curto prazo ao funeral da República e implantação da Ditadura salazarista.)
O hino nacional apela à guerra. " Às armas, às armas " " contra os canhões marchar,marchar ".
O hino nacional com estes apelos é antipedagógico, especialmente para a juventude .
E é uma desculpa histórica e um incentivo para os nossos atávicos políticos, continuarem na senda duma política militarista, irresponsável,ridícula e ruinosa para Portugal,ruinosa para os Portugueses.

sábado, 2 de outubro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça ( V )

A primeira pergunta que merece uma resposta é :há necessidade de requalificar esta parte de Alcobaça? Sim,sem dúvida.Que requalificação? Por ordem de importância e urgência:
1- refazer e alargar os passeios onde fôr possível,aliás não só os daquela zona,mas de grande parte de Alcobaça,especialmente os de maior inclinação.O piso em pedra(calçada à portuguesa)está muito irregular e polido.Um autêntico quebra ossos, o que tem originado frequentes quedas e ferimentos graves.
2- recuperação exterior e interior do mercado.Necessita de melhores condições de higiene,funcionalidade e adaptação a outas actividades.
3- remodelação do parque de estacionamento situado entre o mercado e a rua Brilhante Martins,reservando espaço suficiente para autocarros de turismo.Implantar no local estruturas de abrigo das condições climáticas adversas e outras comodidades,nomeadamente sanitários.
4-Nas ruas limítrofes do jardim da Alameda substituir algumas árvores,especialmente plátanos que existem em quantidade excessiva e originam problemas de saúde,nomeadamente respiratórios.
No jardim própriamente dito,com ou sem supressão da rua Judite Vasco,eliminar várias sebes e canteiros de arbustos de modo a torná-lo num espaço mais aberto.
Necessita de sanitários e de melhores condições para o funcionamento dum café-esplanada.
5-Disciplinar o estacionamento em toda a zona,com sinalização de trânsito adequada,marcação dos lugares no pavimento,horário de cargas e descargas.
6- o anfiteatro não é cómodo nem funcional.
É necessário dotá-lo de cobertura movível(?) e infraestruturas eléctricas,no mínimo.

Tudo o resto que o projecto contempla ou não é urgente nem o local adequado(novos paços do concelho e parque de estacionamento subterrâneo)ou é mesmo prejudicial(supressão de parte das ruas Manuel da Silva Carolino e Dr.João Lameiras Figueiredo, bem como a construção de duas novas rotundas).
Espera-se desta câmara o bom senso e a humildade democrática de submeter o projecto à discussão pública.Não o fazer ,depois da polémica e nefastas consequências das obras na zona histórica,seria imperdoável.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça (IV)

A rotunda existente em frente da câmara municipal,funciona e bem,como ponto de recepção e distribuição em todas as direcções,do trânsito das Avenidas Manuel da Silva Carolino e Dr, João Lameiras de Figueiredo.Eliminar estas ruas e rotunda é destruir o que está bem feito,sem se ganhar nada em troca,antes pelo contrário.As duas projectadas rotundas -uma junto ao centro comercial Gafa,outra no entroncamento da Alameda do Mercado com a rua de Olivença - só irão complicar o trânsito,em vez de o facilitar.Para além do mau gosto urbanístico que é o de juntar várias rotundas -na rua de Olivença já são duas - a curtíssima distância umas das outras.
A zona que se pretende requalificar é de construção recente,funcional e agradável. Com muitos espaços verdes,com muitos lugares de estacionamento à superfície,não pagos,com trânsito intenso mas relativamente fluido.
O dito projecto de regeneração em vez de requalificar vai desqualificar,excepto eventualmente do ponto de vista paisagístico,pois os jardins existentes pouco serão mexidos e de acordo com o projecto,serão um pouco aumentados.
O que de forma alguma justifica a supressão de parte das três ruas já referidas, com a consequente complicação do trânsito.
Aquela que é hoje a melhor zona comercial da cidade e mais frequentada ,se o projecto vier a realizar-se,passará a ter um trânsito de passagem,com poucos lugares para estacionamento e a pagar.Não vai apetecer parar. Não vai apetecer pagar estacionamento para fazer pequenas compras breves,não vai apetecer fazer grandes compras demoradas,com o relógio do estacionamento a contar.Não vai apetecer deixar o carro estacionado longe.Os hipermercados,esses sim,vão ter mais clientes.O comércio e moradores vão sofrer na bolsa e de que maneira.
Não fôssem os serviços públicos lá existentes e o número elevado de habitantes , esta zona da cidade teria a mesma sorte da zona histórica com as obras no largo do mosteiro.
Será que a câmara não aprende com os próprios erros ?
No próximo texto,em jeito de balanço final,darei a minha opinião sobre o que faria e o que não faria deste projecto. ( continua)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça (III)



Como poderá verificar-se, observando na figura que nos mostra o projecto na sua totalidade, na zona de intervenção o trânsito entre o norte da cidade e o sul-nascente, bem como todo o trânsito local,confluirá e passará a fazer-se por duas únicas vias,a rua Alameda do Mercado e a Rua de Olivença(que começa no hospital e vai em direcção à Nazaré).
A Alameda do Mercado terá estacionamento nos dois lados e circular-se-á nos dois sentidos.Para além do trânsito local a ela confluirá trânsito vindo do norte e sul da cidade e do concelho que circule pela rua de Olivença,vindo pela Avenida (rua)Manuel Carolino(a da rodoviária)e da rua no topo poente do Mercado(Norte do concelho e Nazaré).
Qualquer destas vias tem já trânsito intenso,especialmente a Alameda do Mercado, actualmente apenas com circulação no sentido ascendente.
Se levarmos em consideração que esta zona funciona como centro de Alcobaça,com grande densidade populacional,onde se localizam a maior parte dos serviços públicos,se concentra a maior parte do comércio e outras prestações de serviços,
caso este projecto se concretize,o trânsito nesta zona da cidade passará inevitávelmente a ser muito complicado,conflituoso,a provocar grandes demoras e engarrafamentos.Precisamente o contrário do que a Câmara afirma no prospecto em que dá a conhecer o projecto (apenas distribuiu alguns exemplares a alguns deputados municipais!!!).
Outras consequências de não menor gravidade,são previsíveis.
Será essa a reflexão do próximo texto. (continua)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça (II)

Entre o mercado e a rua Brilhante Martins,onde hoje se situa um parque automóvel,que se prevê seja suprimido,situar-se-á um parque para autocarros de turismo.Solução que me parece excessiva,dado que raramente se juntam no local mais que quatro ou cinco desses autocarros e por períodos de cerca de uma hora.
Entre o mercado e o campo de futebol a intervenção nos jardins já existentes não é significativa.Limita-se à reparação de algumas infra-estruras existentes e à construção de outras ,tipo café-esplanadas.
O que do meu ponto de vista é de todo inaceitável no projecto,é a supressão parcial de três ruas: Av. Manuel de Silva Carolino,Av. Dr.João Lameiras Figueiredo e rua Judite Neves Vasco.Esta última não tanto,mas as outras duas são vias são estruturantes do transito automóvel,absolutamente necessárias à fluidez do mesmo.
O que está projectado é fazer dessas vias jardim!Jardim na Av.Manuel da Silva Carolino entre o Centro Comercial Gafa e o edifício Câmara !!!Jardim na Av.Dr. João Lameiras Figueiredo!!! A rua Judite Neves Vasco,na parte situada entre o jardim do tribunal e o que se situa imediatamente abaixo(e só nessa parte),por ter um trânsito muito menos intenso e mais localizado,ainda pode compreender-se e aceitar-se a sua supressão.
O objectivo da projectada supressão destas ruas é ajardiná-las,ligando os três jardins já existentes no local.Ganhar-se-iam assim ,cerca de 500 a 1000 metros quadrados de jardim a mais.O que pouco ou quase nada acrescenta aos já existentes.
Em contrapartida,o transito rodoviário em Alcobaça sofrerá e de que maneira .

É o que me proponho analisar no próximo texto. (continua)

sábado, 25 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana na cidade de Alcobaça( I )

A Câmara de Alcobaça acaba de apresentar o seu projecto de regeneração urbana da cidade,na sessão da assembleia municipal que terminou há pouco mais de uma hora.
Trata-se,resumidamente,de proceder a uma intervenção urbanística no espaço que vai do mercado municipal até ao campo de futebol,vulgarmente conhecido por Alameda do Mercado.
A maior parte desta zona da cidade é de construção relativamente recente,com trinta anos e menos.O mercado é um belo edifício(embora mal conservado),salvo erro da autoria do arquitecto Korrodi e classificado.Necessita de limpeza exterior e remodelação interior,para o tornar mais higiénico,funcional e utilitário.
O projecto ora apresentado propõe que sobre ele se construa mais um piso,para nele funcionarem a Câmara Municipal e respectivos serviços.Proposta esta,no mínimo, questionável e,eventualmente de mau gosto.A Câmara é proprietária de vários e extensos terrenos,um deles a 150 de distância,na Cova da Onça,para onde já esteve prevista a construção dos novos paços do concelho.Porquê e para quê amomtoar edificios sobre edifícios,numa zona das mais movimentadas da cidade?
No espaço exterior do mercado e adjacente a este,projecta-se construir um parque auto subterrâneo com aproximadamente 400 lugares.Isto,se houver algum particular que o construa e o venha a explorar,não se sabe por quantos anos,em que condições e preços.
O que se ficou a saber, foi que os actuais lugares de estacionamento à superfície em toda a zona de intervenção,na sua maioria deixarão de existir e os poucos que ficarem,bem como os das ruas próximas,num raio de 100 a 200 metros, terão de ser pagos. (continua)