quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça (III)



Como poderá verificar-se, observando na figura que nos mostra o projecto na sua totalidade, na zona de intervenção o trânsito entre o norte da cidade e o sul-nascente, bem como todo o trânsito local,confluirá e passará a fazer-se por duas únicas vias,a rua Alameda do Mercado e a Rua de Olivença(que começa no hospital e vai em direcção à Nazaré).
A Alameda do Mercado terá estacionamento nos dois lados e circular-se-á nos dois sentidos.Para além do trânsito local a ela confluirá trânsito vindo do norte e sul da cidade e do concelho que circule pela rua de Olivença,vindo pela Avenida (rua)Manuel Carolino(a da rodoviária)e da rua no topo poente do Mercado(Norte do concelho e Nazaré).
Qualquer destas vias tem já trânsito intenso,especialmente a Alameda do Mercado, actualmente apenas com circulação no sentido ascendente.
Se levarmos em consideração que esta zona funciona como centro de Alcobaça,com grande densidade populacional,onde se localizam a maior parte dos serviços públicos,se concentra a maior parte do comércio e outras prestações de serviços,
caso este projecto se concretize,o trânsito nesta zona da cidade passará inevitávelmente a ser muito complicado,conflituoso,a provocar grandes demoras e engarrafamentos.Precisamente o contrário do que a Câmara afirma no prospecto em que dá a conhecer o projecto (apenas distribuiu alguns exemplares a alguns deputados municipais!!!).
Outras consequências de não menor gravidade,são previsíveis.
Será essa a reflexão do próximo texto. (continua)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana de Alcobaça (II)

Entre o mercado e a rua Brilhante Martins,onde hoje se situa um parque automóvel,que se prevê seja suprimido,situar-se-á um parque para autocarros de turismo.Solução que me parece excessiva,dado que raramente se juntam no local mais que quatro ou cinco desses autocarros e por períodos de cerca de uma hora.
Entre o mercado e o campo de futebol a intervenção nos jardins já existentes não é significativa.Limita-se à reparação de algumas infra-estruras existentes e à construção de outras ,tipo café-esplanadas.
O que do meu ponto de vista é de todo inaceitável no projecto,é a supressão parcial de três ruas: Av. Manuel de Silva Carolino,Av. Dr.João Lameiras Figueiredo e rua Judite Neves Vasco.Esta última não tanto,mas as outras duas são vias são estruturantes do transito automóvel,absolutamente necessárias à fluidez do mesmo.
O que está projectado é fazer dessas vias jardim!Jardim na Av.Manuel da Silva Carolino entre o Centro Comercial Gafa e o edifício Câmara !!!Jardim na Av.Dr. João Lameiras Figueiredo!!! A rua Judite Neves Vasco,na parte situada entre o jardim do tribunal e o que se situa imediatamente abaixo(e só nessa parte),por ter um trânsito muito menos intenso e mais localizado,ainda pode compreender-se e aceitar-se a sua supressão.
O objectivo da projectada supressão destas ruas é ajardiná-las,ligando os três jardins já existentes no local.Ganhar-se-iam assim ,cerca de 500 a 1000 metros quadrados de jardim a mais.O que pouco ou quase nada acrescenta aos já existentes.
Em contrapartida,o transito rodoviário em Alcobaça sofrerá e de que maneira .

É o que me proponho analisar no próximo texto. (continua)

sábado, 25 de setembro de 2010

A dita regeneração urbana na cidade de Alcobaça( I )

A Câmara de Alcobaça acaba de apresentar o seu projecto de regeneração urbana da cidade,na sessão da assembleia municipal que terminou há pouco mais de uma hora.
Trata-se,resumidamente,de proceder a uma intervenção urbanística no espaço que vai do mercado municipal até ao campo de futebol,vulgarmente conhecido por Alameda do Mercado.
A maior parte desta zona da cidade é de construção relativamente recente,com trinta anos e menos.O mercado é um belo edifício(embora mal conservado),salvo erro da autoria do arquitecto Korrodi e classificado.Necessita de limpeza exterior e remodelação interior,para o tornar mais higiénico,funcional e utilitário.
O projecto ora apresentado propõe que sobre ele se construa mais um piso,para nele funcionarem a Câmara Municipal e respectivos serviços.Proposta esta,no mínimo, questionável e,eventualmente de mau gosto.A Câmara é proprietária de vários e extensos terrenos,um deles a 150 de distância,na Cova da Onça,para onde já esteve prevista a construção dos novos paços do concelho.Porquê e para quê amomtoar edificios sobre edifícios,numa zona das mais movimentadas da cidade?
No espaço exterior do mercado e adjacente a este,projecta-se construir um parque auto subterrâneo com aproximadamente 400 lugares.Isto,se houver algum particular que o construa e o venha a explorar,não se sabe por quantos anos,em que condições e preços.
O que se ficou a saber, foi que os actuais lugares de estacionamento à superfície em toda a zona de intervenção,na sua maioria deixarão de existir e os poucos que ficarem,bem como os das ruas próximas,num raio de 100 a 200 metros, terão de ser pagos. (continua)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Regeneração (?) urbana em Alcobaça ?

Dicionário de Português
2ª edição
Porto Editora

regeneração -s.f. -
acto ou efeito de regenerar;reabilitação; reforma moral.

regenerado -adj. -
que se regenerou;reabilitado moralmente; corrigido.

regenerador -adj. e s.m. -
que ou aquele que regenera;designativo de um partido
político no tempo da monarquia em Portugal.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pedofilia - na Bélgica

Uma comissão de inquérito que nem sequer chegou ao fim da sua investigação,apurou:
padres e bispos da igreja católica ,abusaram de centenas de crianças,algumas com dois anos de idade.
Entre as vítimas,cerca de cem são femininas e dois terços(a notícia foi dada assim) ou seja, duzentos são do sexo masculino.
Treze das vítimas,acabaram por se suicidar.

Estes criminosos frequentavam a casa das vítimas,onde eram recebidos com toda a cortesia e muitas vezes convidados pelos pais a tomar algumas refeições.

A notícia televisiva(10 de Setembro de 2010,salvo erro na SIC) não informou se algum dos criminosos foi ou será levado a julgamento.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pedofilia - processo Casa Pia

Ao fim de oito anos de processo-cinco a seis deles em julgamento- foi lida a sentença.
Processo atribulado e atribiliário do princípio ao fim,os arguidos ainda não têm uma cópia da sentença,lida há uma semana !
Justa ou injustamente,todos condenados.Os recursos prometem mais uns anos de folhetim.
Justiça à portuguesa.
Com a sentença condenatória as boas consciências respiram de alívio.Já podem dormir descansadas,confiantes,as nossas crianças estão protegidas,as instituições funcionam,a justiça acontece,não há crime sem castigo.
Pura ilusão.
A justiça funciona quando funciona,é sonolenta e arrastada,trôpega e quantas vezes injusta.
Neste caso,ficaram de fora,sabe-se lá quantos criminosos que ao longo de dezenas de anos ,porventura todo o que que dura a instituição,se banquetearam alarvemente com as vítimas da orfandade e da miséria.
Pior que tudo isto ,é que a raposa continua no galinheiro e quantas vezes,são os próprios familiares os abusadores.Ou os pais a levar e confiar cegamente os filhos aos seus predadores,não obstante ser conhecido o seu longo histórico de hipocrisia e devassidão sem limites.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Fim de férias

Recomecei a trabalhar com a expectativa de outra pausa em breve,mais dilatada e duradoura,espero.Este recomeço tem o sabor agridoce de voltar ao trabalho numa 5ª feira, depois dum feriado na 4ª.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alexandra Lucas Coelho

A jornalista - repórter do Público (P2)

O prazer da viagem e da descoberta,a côr,a visão panorâmica e o detalhe,os sons,os paladares,os cheiros, as texturas e os volumes,o passado e o presente,a história,as pessoas ,as ideias e os sonhos,as pessoas e o quotidiano,o que está à vista e o que está oculto por séculos de poeira, indiferença, preconceito, discriminação, racismo,
políticas deliberadas, colonialismos e neocolonialismos, a miséria e a grandeza humanas, tudo isto e muito mais nos é servido em bom português, com a aparente naturalidade de quem escreve um diário para gozo próprio,mais que por dever de ofício.
A Alexandra revela,observa,regista e transmite.
A nós,companheiros de viagem a Portugal, ao Médio Oriente,África do Sul,México e outras paragens, delicadamente, deixa-nos o trabalho de julgar.E uma boa surpresa :
afinal,ainda há jornalistas-repórteres em Portugal.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

16 de Agosto

Astronautas

Astronautas,vogamos pelo Tempo,com a falsa noção de segurança ,de termos os pés assentes em Terra.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ao Presidente da Câmara de Alcobaça

A propósito de um hospital novo

Foi com alguma surpresa que ouvi noticiar que o sr.Presidente se propôs oferecer ao Ministério da Saúde,o terreno onde está implantado o Mercoalcobaça,para um hospital novo,isto é,a construir de raiz.
A surpresa não foi só minha pois ,ao que me é dado saber,os vereadores da oposição -PCP e PS- também vieram a conhecer tal proposição,primeiro pela rádio local e só depois em reunião de câmara.
Logo por aqui se vê,quanto as decisões políticas da câmara padecem de falta de diálogo e práticas democráticas.É que,tendo V.E. sido eleito por maioria absoluta,nem por isso os vereadores da oposição deixam de representar quarenta e tal por cento dos eleitores. V.E. e o seu partido ganharam é certo,mas os que ficaram em minoria não deixaram de ser alcobacenses e cidadãos tão legítimos e com tantos direitos,quanto aqueles.A menos que V.E. se julgue e actue apenas
como presidente dos que o elegeram. Pessoalmente,não acredito, isto é,não quero acreditar.
As questões aqui que me proponho expôr interrogativamente,são muito simples,já que um hospital melhor que o que temos,todos os alcobacenses o desejam e quanto a isso não parece haver discórdia.Embora eu não acredite que venha a ser uma realidade nos próximos 10,15 ou 20 anos,por razões que ultrapassam o âmbito local.Vamos às questões:
Primeiro:
de que hospital estamos a falar? Com que valências? que cuidados de saúde vai prestar? os mesmos,que são já tão poucos e com tendência a ser cada vez menos?Ou um hospital com mais especialidades,mais profissionais e mais apetrechado técnicamente?
Esta é a verdadeira questão,o edifício em si,sendo relevante,não é o fundamental.
Segundo:
V.E. propõe-se doar o terreno.
Se essa é ou vier a ser uma condição decisiva para a construção dum novo hospital,que não seja apenas mais um edifício novo,estamos de acordo.Parece-me no entanto,que V.E. cedeu antes de a batalha começar,com a ansiedade de mostrar serviço,obra feita,betão à vista.Esqueceu-se das contrapartidas prometidas pelo anterior governo,por o novo aeroporto deixar de vir a localizar-se na OTA,como durante muitos anos esteve previsto?
Esqueceu-se de que o actual governo,via Ministério da Agricultura,para ceder o Museu do Vinho à câmara,está a a exigir que esta lho compre? No mínimo,tentou uma permuta?
Terceiro:
independentemente da questões anteriores,o sr.Presidente parece ter-se precipitado ao oferecer o terreno do Mercoalcobaça.Senão vejamos:tirando o parque automóvel e ajardinado que estão livres,no resto do terreno estão construidos os edifícios do Merco,com uma área coberta de três ou quatro mil metros quadrados(cálculo a olho e à distância,penso que peca por defeito).Construção recente,vinte anos no máximo.Entre área coberta e descoberta,rondará um hectare.Tudo no valor de alguns milhões de euros.O edifício do Merco,a seguir ao mosteiro,é a maior área construida na freguesia de Alcobaça.A única que acolhe eventos com milhares de pessoas.Destruí-lo,afigura-se uma má ou mesmo muito má solução.Terá a câmara alternativa disponível para substituir o Merco? Onde, quando e quanto lhe custará consegui-la ? Não está a câmara financeiramente no fio da navalha? Caso o hospital venha a ser uma realidade naquele local,não será também necessário deslocalizar a feira? Para onde,quando e a que custo?
Finalmente ,mas não menos importante:
será o melhor local para um hospital? Está em construção a estrada que ligará, a Nazaré à estrada nacional nº1,que passa pela Fervença,Boavista com variante a sair dentro de Alcobaça,junto à Acessor( a duzentos ou trezentos metros do actual hospital).Não haverá próximos dessa via rápida,terrenos camarários ou particulares convenientes ao hospital e muito mais baratos? Não será inclusivé,de repensar a hipótese de fazer obras de remodelação no actual hospital?
Sr. Presidente da Câmara de Alcobaça:
Não duvido da sua boa vontade para resolver situações que tirem Alcobaça deste aparente beco bem estreito,em que se encontra.Alcobaça está económica e socialmente sem vitalidade,envelhecida,quase moribunda.Mais parece,desde há anos,um velho carro sem motor e sem condutor.O sr. Presidente ainda é jovem e espera-se de si algum arejamento de ideias e sadio relacionamento com os munícipes.A princípio revelou alguma abertura .Actualmente(e decorreram apenas alguns meses sobre a sua eleição)começa a parecer-se com o seu antecessor,fechado na sua concha partidária,egocentrista,alheio às opiniões e contactos com a população,avesso à discussão democrática com os representantes da oposição no executivo camarário e assembleia municipal.
O hospital já levou o seu antecessor,a fazer a compra do terreno em Alfeizerão, previsivelmente ruinosa para as finanças de Alcobaça,como veio a acontecer,não obstante ter sido repetidamente alertado.
O sr. ainda está a tempo de não trilhar o mesmo caminho e é bem fácil:basta convencer-se de que não é o único dono da verdade,de que não é dono de Alcobaça e que os bens,dinheiro e interesses públicos devem ser geridos com muita prudência e ponderação.